A revolução do varejo

Oi, pessoal.

Estou lendo um livro sobre compras no varejo e o comportamento que temos durante o ato de comprar. Estou tendo reflexões e descobertas tão interessantes que seria muito egoísmo não registrar aqui e compartilhar com mais pessoas. Para quem quiser ler, o nome original do livro é ‘Why We buy”, e foi traduzido para o português com o lamentável título “Vamos às compras” – digo lamentável porque a tradução do título tirou muito do efeito instigante que o Autor provavelmente pretendia… mas tudo bem. O livro é ótimo.

Não tenho aqui a intenção de abordar propriamente o tema do livro ou fazer uma sinopse. Quero apenas dizer que vale a pena ler e compartilhar uma ou duas coisas em que comecei a refletir e reparar depois de ler o livro (gostei tanto que assim que terminei a leitura, dei dois dias de intervalo e recomecei a ler os pontos chave).

Além de relatar aspectos físicos e neuromotores que justificam várias coisas evidentes nos layouts de supermercados, lojas de departamento e lojas de conveniência, o livro nos fala muito sobre a o impacto da cultura das pessoas no comportamento de compra das mesmas. E esta parte, particularmente, é fantástica. Mas há um fato exposto no livro que me deixou chocado. Chocado porque é algo óbvio e explícito, mas que não costumamos reparar: o mundo que foi concebido e dominado por homens durante tanto tempo, agora é cada vez mais feminino.

Ora, as diferenças comportamentais e culturais entre as pessoas sempre influenciaram (ou até mesmo definiram) muita coisa ao longo da história. No entanto, a revolução do comportamento social que vem acontecendo de 30 anos pra cá, principalmente em relação ao papel da mulher em todos os setores da vida moderna, tem exigido mudanças drástica na forma como as vendas acontecem no varejo. Ambientes rústicos e sóbrios, outrora preparados exclusivamente para o público masculino, receberam uma nova roupagem para atender de forma eficiente ao público feminino, ávido pelas compras.

Comprar, é um processo dominantemente feminino. Há quem queira justificar isso pela abordagem biológica, dizendo que foram as mulheres quem examinavam, separavam e limpavam os alimentos na família pré-histórica, enquanto homens vagavam de forma errante na mata em busca da caça. Outros, mais socialistas, preferem dizer que a opressão imposta ao gênero feminino até algumas décadas atrás transformou o ato de comprar em uma fuga psicológica e social para as mulheres, que por não poderem trabalhar, falar com outros homens e serem responsabilizadas excessivamente pelo trato do lar, viam no ritual de compra um refúgio e forma de socialização com outros adultos. Mas o fato é que a mulher adora o ritual de compra. Adora entrar na loja e andar calma e atentamente pelos corredores, examinando vitrines, experimentando produtos e decidindo muito competentemente a compra, considerando cada detalhe dos produtos e serviços oferecidos.

O varejo sempre mirou nas mulheres. Afinal, para o homem, o processo de compra ideal consiste, quase sempre, em entrar correndo no estabelecimento, achar o que entrou pra comprar muito rapidamente, pagar e sair. Homens e mulheres compram de forma diferente. Mas não dá pra negar que o mundo mudou. Hoje a maior parte das mulheres trabalham, dividindo as tarefas domésticas e a educação dos filhos com os parceiros. E se a vida mudou, o varejo tem que mudar… tem que aderir à esta revolução social… Se você reparar, vai ver como é difícil para o homem comprar produtos de higiene masculinos, pois além de não se encontrar muitas linhas masculinas de cosméticos, as que existem estão sempre escondidas em um espacinho minúsculo num corredor de uma grande seção cor de rosa de hidratantes… nenhum homem fica à vontade pra comprar suas coisas assim…

O mundo mudou. O varejo deve mudar. É nítido que ele não está preparado pra receber o novo consumidor que se apresenta já nesta segunda década de século XXI. Mulheres e homens modernos, com sede de bons produtos e tratamento personalizado e justo. Quem conseguir identificar estas novas demandas, certamente vai ganhar muito dinheiro.

Ah, se não deixe de ler o livro! Vale muito a pena.
Abraço.

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