O nosso desafio pela educação

Eu não me canso de dizer que a faculdade deve ser o ambiente de testes onde as pessoas devem tentar validar suas ideias sem medo. É ali, durante aqueles anos de formação e de base acadêmica para exercer a profissão, que o estudante precisa colocar em prática suas hipóteses para, com o auxílio e estrutura dos professores, obter a preparação que o mercado de trabalho exige dos profissionais. Errar é parte do processo de aprendizado e as faculdades deveriam incentivar a postura empreendedora de seus formandos, gerando profissionais realmente prontos para encarar os maiores desafios aqui fora. Entretanto, isto não acontece como deveria. E não acontece por diversos motivos: a maioria dos estudantes brasileiros já trabalha quando ingressa no ensino superior; grande parte dos professores não têm o devido vínculo com as práticas atuais de mercado; há uma defasagem crônica no ensino de base do país, gerando estudantes despreparados para as faculdades; etc.

Sou bacharel em administração de empresas e fiquei extremamente surpreso ao descobrir que eu poderia ficar estudando por 4 anos e sair sem saber como se abre uma empresa! Aliás, isso só não aconteceu porque eu faço parte do raríssimo grupo de pessoas que realmente quis fazer este curso. Mesmo assim, o ensino foi baseado em teorias da administração de 50 anos atrás e, se eu não me esforçasse muito mais que a média de pessoas no curso, seria mais um formando desatualizado e sem espaço no mercado de trabalho. Durante a faculdade eu trabalhei numa empresa de tecnologia e, por isso, tive oportunidade de constatar que o mesmo acontece na maioria das faculdades de tecnologia do Brasil: os caras aprendem coisas de 10 a 20 anos atrás e, se não se esforçarem muito além da média, terminam suas faculdades sem saber nada que realmente gere valor para o mundo. É uma falha grave na nossa educação. Mas, como resolver este problema?

Ora, minha visão é de que por se tratar de um problema crônico, relacionado tanto a fatores culturais como estruturais do País, não se pode esperar uma solução unilateral por parte do Governo. Se quisermos realmente fazer algo pela educação de nossos jovens, teremos que usar a criatividade, arregaçar as mangas e ir à luta. Empresas terão que ser mais presentes nas escolas e universidades e o incentivo ao empreendedorismo deve vir do berço. E, principalmente, caras como eu (e talvez você), que se formaram e estão atuantes no mercado de trabalho graças a muito esforço e um grande ímpeto em complementar o conhecimento, questionar, testar e validar hipóteses, não devem esquecer o problema da educação de base: devemos voltar e compartilhar com os estudantes o que o mercado nos ensinou. Este é desafio. Este é o meu desafio.

Tenho pensado e feito algumas coisas para cumprir este desafio. Uma delas, é levar grupos de discussão de práticas de mercado para os estudantes empreendedores de algumas instituições. Outra, é apoiar causas como a do education dream (que ainda devo um post, aliás), que ajudam as pessoas as realizar seus sonhos de educação através de uma plataforma colaborativa; e da endeavor, referência em educação empreendedora no Brasil.

Já tem muita gente trabalhando pra solidificar as bases educacionais do nosso país. Mas é importante que todos nós façamos um pouquinho. Devemos isso ao mundo. Daqui alguns meses, trarei as ações que estou realizando no mundo off line para cá, e será um prazer dividir com você.

Abraço!

 

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